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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

seleção de 70

Lote bacana que peguei. Sou fanático pela seleção de 70, um dia irei me alongar com uma teoria freudiana rasa sobre as razões.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Motel e Salatiel

PS - Salatiel é um dos mais famosos artesãos de futebol de botão, sendo que hoje em dia seus times são raros pois ele não fabrica mais.





Motel e Salatiel
O campeonato é daqueles de verão, pré temporada. Não é um campeonato que prometa grandes emoções nas mesas e sim é daqueles para papear, tomar um chopp e tentar fazer algum negócio.
Falou em negócio falou no Antenor. Ele adora, não joga nada, o lance dele é ficar no canto no qual montam as barraquinhas das transações, compra uns dez times e faz umas 200 trocas.
Antenor chama esse cantinho de Canto dos Perebas; explico, ele comenta que você não vê jogador bom fazendo negócio, rolos ou semelhantes. Só os perebas que ficam lá como alucinados, a compra de um time é o ópio do derrotado na mesa ele dizia.
Antenor estava de olho em um time, um Vasco Salatiel, pin randal, 20 botões, palaton, time bom e caro. Entretanto havia um detalhe, grande, o time era do Rafael que não queria vender.
Rafael, malandro, não precisava de grana, mas se houver um bom lucro por que não?
Ele enaltecia o time, fazia uma propaganda com sua lábia infalível.
- O time não anda, voa!!!!
- O time ganhou de Franklin e Dudinha!!!
- Esse pin vale mais que a minha esposa!!!
- Cruza de Ferrari com Lamborghini.
- Time feito na melhor fase de Salatiel.
Falou tanto que convenceu Antenor, mas foi uma legítima atolada. Já tendo bebido umas e outras Antenor sacou o visa black, estufou o peito e passou 2500 em 12 vezes. E os juros que se fodam ele bradava.
Comprou e colocou na mesa. O pereba do Antenor sentiu que era o time da vida. Primeiro jogo com um senhor de Caxias, nunca havia ganho dele.
- 3 x 0.
Segundo jogo com um marrento de Rio Grande.
- 2 x 0 com direito a grito na cara.
E assim foi, ninguém acreditando, uma vitoria atrás da outra e por mais que fosse um torneio amistoso o desempenho do Antenor beirava o milagre.
Porém, existe o ditado, da onde menos se espera que não sai nada mesmo. Uma pausa tardia para o almoço, umas cervejas a mais além das que já havia tomado e a amante de Antenor mandando mensagem sem parar formavam uma combinação explosiva.
- Amor, onde você está?
- Tô com aquela calcinha Antenor!!!
- Vem meu campeão, eu serei a cereja do seu troféu!!!
Não deu outra, Antenor balbucia com o álcool nas ideias para os que dividem a mesa com ele.
- Vou lá, dou uma rapidinha, e volto pro título. Sexo e botão, o que há de melhor na vida?
Uma hora e meia até a final somando o intervalo com a final da prata, dá e sobra o tempo. Motel ao lado, não tem erro.
Lá ele chega e as coisas começam a dar errado. O motel está lotado!
- Quem vem trepar sábado a tarde kct?
Depois de angustiantes 20 minutos ele finalmente chega ao quarto. Tira a camisinha de forma desajeitada da sua mochila repleta de times e manda ver.
Faltando uma meia hora ainda para a final Antenor está bem calmo. Paga o motel, sorri para a recepcionista e deixa a amante no Shopping. Dirige-se ao clube para ser coroado com o título, nunca havia chegado a uma final, imagina ser campeão.
Chega na mesa, abre a mochila para colocar Vasco na mesa. Dizem que time bonito não ganha título, vão ver só.
Mas o Vasco não está lá. Não está no primeiro compartimento da mochila, nem no segundo, nem no terceiro. Corre para o carro e também não está lá. No bolso nem cabe, mas checa assim mesmo e não está claro.
- Meu Deus, será que na hora de pegar as camisinhas...
O tempo urge, o adversário reclama, não tem jeito, coloca o time antigo na mesa que tão poucas alegrias deu para ele e a história se repete.
Perde de 5 x 0.
Mal cumprimenta o adversário e corre para o motel. Não, ninguém achou nada! Não, o senhor não pode ir, o quarto está ocupado. Fazendo o que, ora, o senhor sabe né. O que o senhor perdeu? Ah, é particular, o senhor não quer falar, aí fica difícil né.
Desiste de esperar e tem que ir para casa, a esposa o aguarda.
A mochila revirada várias vezes apenas sacramenta a dor.
- O time foi perdido.
Até hoje quando passa em frente ao motel Devaneio Antenor pensa em parar, perguntar se acharam seu time de botão lá e pedir que o devolvam. Quando seus pensamentos o impulsionam até quase a porta do refúgio sexual ele arrepia. Acha que o pedido soará estranho, tem vergonha, ou mesmo acredita que um outro casal saliente pegou o time e está por aí em alguma mesa desfilando um belo time do Salatiel e sorrindo com as vitórias que lhe foram negadas pelo desejo carnal.



quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

colecionismo

Este blog procura fazer negócios também. Se alguém quiser comprar ou trocar por futebol de botão estes itens entre em contato.



Goleiro


Goleiro em resina ou paladon, eu não sei precisar. fica a curiosidade que os goleiros antigos da regra brasileira tinham essa cava.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

mesa

Esta foi minha primeira mesa Oliver, um fabricante de Petropolis no Rio de Janeiro que creio que é o melhor de todos.

Jogamos muito, eu e amigos, mas passei por ser grande demais.


domingo, 12 de janeiro de 2020

Redenção

Numa oficina de escrita que fiz tínhamos que escrever uma vez sobre um assassinato. Me inspirei numa revista antiga do Homem Aranha
Claro que é ficção.
Redenção
Ave Maria
- É hoje Doutor. Ele vai estar aqui hoje, trabalhando perto do lago. Vai só roubar, pois o barraco ainda tá quente desde o lance da sua filha. Mas não tem erro não Doutor, chega as 19 que ele vai estar. Agora, te avisei, ele é do mal, maior que o Senhor, tem certeza que...
- Não preciso dos seus conselhos. Toma aqui seu dinheiro. Dois mil reais conforme combinado. Nunca nos vimos, ouviu? Nunca nos vimos!
Lance...! Eu não sabia detalhes do assassinato de Camila, mas em minha mente tudo estava delineado. Provavelmente Camila se atrasou, como sempre. Talvez mais naquele dia. Ciente de que eu detestava atrasos resolve cortar caminho por dentro do Parque da Redenção. Por mais que recomendasse que jamais devesse adentrar no Parque, nem de dia, Camila, do alto dos seus 21 anos, provavelmente me ignorou. E foi esse o erro da minha filha. O erro dela que me corrói todos os dias. Desde então sinto que estou numa banheira, apenas vendo as gotas enchendo até me afogar. Não tenho forças para sair.
Cheia de graça.....
Inicialmente o luto. Talvez pudesse viver com ele, para sempre. Jamais seria o mesmo, mas muitos vivem em luto. Quando acontece uma tragédia dessas em nossas vidas todos se acham no direito de dar conselhos, como se houvesse algo a ser feito. Estava quase acreditando nos conselhos, desejoso de acreditar, quase implorando, mas aí os detalhes surgem. E não é o todo que dói, é o detalhe.
Estuprada até a morte. Acorrentada. Um seio arrancado. Pulsos extremamente machucados indicando que foi amarrada, mas que lutou. Lutou muito pela vida. Tudo isso me foi dito por Marcelo, meu amigo da Polícia Civil. Relutou, usou as frases prontas, de que tudo passa, não importa o que aconteceu, Deus quis assim, foi um anjo neste planeta e sua missão foi breve. Como aquelas palavras me irritavam!!! De tanto insistir, Marcelo contou. Talvez não tudo, mas o suficiente.
O Senhor é convosco...
Pensei em acreditar na Polícia, deixar a Justiça acontecer. O que ouvia era sempre a mesma coisa. A Polícia não tem pistas, está investigando, fazemos todo o possível. O clamor inicial da população se apagou. No começo discussões acaloradas, manchete de primeira página da Zero Hora, falência do estado, vamos cercar a Redenção. Dois meses depois minha filha é um número e eu mais um que perdeu um ente querido na guerra em que vivemos e que há muitos anos perdemos. Alguém precisa inverter isso, reagir.
Alguém...
Bendita sois vós entre as mulheres...
Com a ajuda de Marcelo começo a investigar. É incrível como a polícia trabalha se quer, se quer e se pode. Fizemos tudo usando os meios ilegais. Pelas vias normais não conseguiríamos nada. O primeiro era um bandido de um grupo rival e vendeu-se por pouco, cem reais. Disse que o parque era dividido em quatro grupos e que minha filha foi assassinada por um integrante do grupo três, o grupo que fica perto da escola de medicina. Disse que todos sabiam quem tinha feito, pois estupros eram proibidos devido à repercussão. Ele ficou queimado no grupo dele e começou a atuar sozinho, mas nunca parou. Apenas passou a atuar mais tarde, por volta das 19 horas, não todos os dias, mas costumava aproveitar o inverno de Porto Alegre. Meu informante não o conhecia pessoalmente, então não podia me passar uma descrição.
Com a ajuda de Marcelo consegui mais um contato. Dessa vez um dos integrantes do grupo do assassino. Me deu todos os detalhes de que eu precisava. Alto, branco, cabelos pretos lambidos e repartidos para o lado. Tinha por volta de 20 anos, usava uma corrente grande e dourada, com um enorme crucifixo. O principal, no entanto, era a cicatriz. Conforme seu companheiro disse, era enorme, e daí seu apelido: João cicatriz. Era o suficiente, pensei. Restava apenas o dia, a hora e agir. Agir.
e Bendito é o Fruto do vosso ventre, Jesus......
Não planejei muito. Desde a morte da minha filha não tinha mais medo de nada. Não tinha ambições, sonhos. Na verdade conhecer o assassino da minha filha era o que me movia. Aquela coisa presa na garganta, como um câncer, uma falta de ar que me acometia. Precisava da libertação. Aquele era o caminho. Tinha quer ser.
Um terceiro bandido que atuava isolado dos outros grupos, apenas para sustentar o vício, me dá o dia e a hora. Quinta feira, 17 de julho. Procuro me vestir como um desavisado, como alguém que não sabe que existem territórios proibidos na cidade. Faz um frio tremendo. Chego na Redenção as 19 e os relógios já marcam 7 graus. A escuridão e o frio afugentam a população. Alguns esportistas caminham no entorno do parque, mas dentro dele não há ninguém. Apenas eu no território que me disseram que ele iria atuar. Apenas eu, perdido em pensamentos, sem saber ao certo o que estou fazendo. Eu, que sempre adorei os estudos, mal consigo ter um pensamento inteiro. Na minha mente só há espaço para duas coisas.
Santa Maria, Mãe de Deus...
O tempo passa e não avisto ninguém que se encaixe no perfil. Temo que não vá aparecer, que meu esforço todo tenha sido em vão. O drogado me enganou – penso. Quando o frio está quase me rendendo sou interrompido por uma voz rouca, que gela ainda mais minhas mãos.
- Vai um programa Coroa? Uma chupada dez pila.
- Não, me deixa.
Olho de relance e vejo um menino, talvez não mais que 15 anos. Dou as costas e uma sensação de nojo me percorre, mas breve meus sentimentos são trocados por um misto de ansiedade e raiva. Ouço o menino que me ofereceu o programa falando com outro rapaz, e naquela hora se não é um “programa”, boa coisa não é; Estão distantes, mas vejo de soslaio que apontam pra mim.
O segundo rapaz começa a me seguir, uma respiração pesada, tosses, quase corre. Fiz questão de usar roupas chamativas e o relógio mais caro que eu tinha. Sinto que ele está quase chegando e ouço a pergunta:
- Que horas são Doutor?
Viro e procuro traçar um perfil rápido, conforme a descrição que me deram. Engraçado que antes mesmo de virar eu já sabia, já sentia que era ele.
Tudo coincide. O cabelo lambido, magro, o cordão e a cicatriz, enorme, percorrendo todo o rosto. Fico sem ação e ele insiste.
- Que horas são Doutor?
Quando tiro as mãos do bolso e ergo o braço como se fosse ver as horas seus olhos brilham. Eu era o ganho dele naquela noite fria e de poucos lucros. Vejo que coloca as mãos no bolso, provavelmente para pegar uma arma, mas sou mais rápido. É fácil comprar uma arma de choque no Brasil. Uso-a de forma desajeitada, no máximo, e ele apaga. Por alguns instantes penso que o matei, mas não desvio do meu plano. Acorrento-o pelo pescoço com uma tranca longa de bicicleta que havia escondido atrás de uma árvore. Em cinco minutos ele recobra os sentidos, balbucia algo sem nexo e ao recobrar os sentidos e perceber que está preso começa a me xingar. No começo pensa que sou de um grupo rival ou um viciado em crack, mas quando conto a história ele não esconde o que fez, pelo contrário, parece indiferente. Imaginava que ele ia mentir, que teria que arrancar a confissão, mas pelo contrário, ele fala, e quando fala enxergo um sorriso nele. Ele ri de mim e do que fez. Ele ri.
Rogai por nós pecadores...
- Sua filha não foi a primeira nem a última velho. Sou di menor, nada vai me acontecer. Sua filha era muito da gostosa. Gritou como uma cadela e não vai acontecer nada, eu sou di menor. Não vai dar em nada.
Pego algumas palavras, não todas, mas o sorriso vejo com nitidez. Um sorriso discreto, malicioso, sem mostrar os dentes. Eu não quero mais ver o sorriso.
Agora e na hora da nossa morte....
O tiro é silencioso e naquela hora pouco importa. Não há mais ninguém no parque. O sangue jorra, mas não fico para olhar. Não gosto de sangue. Jogo a arma em um pequeno lago e me certifico que ela afunda. Não gosto de armas.
O frio parece mais intenso agora. Caminho a passos lentos para o ponto de ônibus, que passa rápido. Uma senhora me fita e me dou conta mais uma vez das minhas roupas chamativas, do meu relógio e do adiantar da hora. Pela primeira vez lembro de Ana, minha esposa.
Chego em casa e a vejo adormecida na poltrona. Linda ela, mas parece ter envelhecido dez anos nos últimos meses. Tento não fazer barulho, mas a batida da porta me denuncia.
- Álvaro, onde você estava até agora. Estão todos te procurando. O que estava fazendo até esta hora?
- Estava rezando Ana. Rezando
Amém.
Fabio Fortes



Alemanha x Colômbia

Esta Alemanha peguei essa semana, 4,2, dei sorte.
Claro que os 2 jogos mais emblemáticos que lembro são a final de 2002 e o famoso 7 x1.
Mas, lembro de um por causa da narração do Silvio Luiz que eu adorava. Foi em 1990, Alemanha e Colombia. Na minha cabeça a Colombia empatou quase no final.
Não lembro do comentarista do jogo, se tivesse que chutar seria o Rivelino

América de Natal

Sou volúvel, este time já passou por mim 2 vezes, agora volta novamente.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

meus times mais bonitos

Estes são meus times mais bonitos.

Dizem que o bonito não ganha título, mas vamos lá tentar mudar a história.


terça-feira, 7 de janeiro de 2020

bairro flamengo

Bairro Flamengo.
Eu não uso a rede linkedin, mas vi um alerta com mais de um mês de atraso da minha posse no Rio Grande do Sul.
Quando volto ao Rio, e faço com relativa frequência, tenho um olhar mais crítico sobre vários locais, em outros não me reconheço mais e em apenas um me sinto como se não tivesse saído.
O Bairro Flamengo.
Não irei me aventurar pela história do bairro, desconheço!
Meu olhar é o de quem praticamente viveu a vida toda lá, salvo os primeiros anos de vida e de 2007 a 2010.
O bairro Flamengo está longe de ser um bairro da moda no Rio. Nunca foi. No olhar de um carioca típico é aquele bairro classe média do Rio, claro que com preços proibitivos para a maioria da população, afinal estamos falando do Rio.
Mas, não é aquele bairro esnobe como o Leblon, ou com um modismo meio sem identidade como a Barra.
Também não tem um comércio sofisticado, restaurantes da moda ou uma gente descolada!
O que eu vejo afinal?
Ora, direi, eu não vejo.
Eu sinto!
A água de coco do Emir que não acaba somada a vista da Baia de Guanabara me permitem sonhar que um dia o Rio ainda vai dar a grande virada.
O Belmonte me lembra os porres de adolescente, quando era jovem e acreditava que ficaria rico. Até hoje vou lá, tomo porre, mas sem a ilusão da riqueza.
O Aterro do Flamengo me lembra minhas corridas, aquele calor infernal que te queima e te afaga. Lembro dos cumprimentos entre os corredores, os atletas que respeitosamente levantavam as mãos quando passavam um pelo outro querendo meio que dizer;
- Vamos por mais.
As ruas do bairro me permitem cruzar com as pessoas da minha infância e algo do comércio que me marcou. Amigos que ficaram no passado e hoje apenas levantamos a sobrancelha, porteiros que viam aquele menino esquisito caminhar para comprar quadrinhos todos os dias, a Adidas que teimo em olhar sempre para dentro da galeria pensando que vai reabrir ou mesmo a Paradinha que tinha doces e salgados ótimos.
A praça do Indio foi onde fiz mais amigos de uma vez só. Subitamente conheci uns 40 adolescentes sem o olhar sisudo do Santo Inácio, com uma outra visão do mundo, mais heterogêneos eu diria. Era lá que eu levava meu cachorro pra passear, Schultz, meu grande amigo, que viveu dez anos apenas. Mesmo ele tendo morrido em 2004 até hoje alguns moradores do bairro lembram de mim por causa do Schultz. Não era eu que passeava com ele, era ele que passeava comigo.
O Flamengo tem um fenômeno interessante, boa parte dos meus amigos que um dia foi morar em outro lugar voltou para lá. Parece que não só eu tenho uma relação de amor com o local, de pertencimento social como dirão os psicólogos.
Talvez um dia eu volte. Talvez nunca, para ficar apenas com a lembrança das coisas boas. Sei que até hoje quando passo pela estátua do Indio ( Cuauhtemoc para os íntimos) ela me cumprimenta e dá o seu conselho.
- Continue caminhando.