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sábado, 23 de maio de 2020

A solidão do botonista

Fiz o seguinte pedido ao meu pai:
- Pai, já que você pinta e acredito que toda tela tenha um significado quero te pedir algo bem específico. O Futebol de mesa é um jogo solitário, não há técnico para auxiliar, individual o jogo ao extremo. E já sendo um jogo solitário existem alguns lances que me remetem há uma solidão mais profunda ainda, daquelas que nossa única companhia é a batida do nosso coração. Estes lances são os cruciais, aqueles do último lance, com dezenas de pessoas em volta da mesa, porém o jogador está lá desamparado, sozinho na montanha, sem poder pedir ajuda a ninguém a não ser a ele próprio. Quero que capte a essência desse lance numa tela.
Ouço uma respiração mais profunda, a pausa demora e eis que a resposta vem:
- Fabio, esse quadro, com esses detalhes, com essa complexidade, com toda essa carga psicológica, eu só consigo imaginar uma pessoa que faça. Vou te dar o telefone, mas desconfio que ele não vai poder te atender.
- Opa, quem é a pessoa?
- Portinari!