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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

O dia que fui demitido...antes de ser contratado.

 O dia que fui demitido antes de ser contratado..... talvez pelo meu sobrenome

Quando fui demitido do hospício no qual trabalhava estava bem claro na minha cabeça que iria fazer concursos públicos.

Tinha começado a estudar já no final da minha experiência na Clínica, atravessava a Zona Sul do Rio da Rocinha até o Centro e estava começando a me acostumar com aquele universo que em breve acharia maravilhoso e desafiador.

Porém, logo depois da minha demissão surgiu um grilo falante pra me atormentar. Sei lá por que fui chamado para uma entrevista numa Clínica de Oncologia, na Tijuca.

Hesitei em ir, mas como tempo era o que me sobrava resolvi aceitar o convite.

Chegando lá fui bem recebido pelo dono da Clínica, um medico com nome de um ex presidente da CBF. Eu nunca me saí bem em entrevistas, mas havia uma afinidade entre nós, pois ambos havíamos estudado no Colégio Santo Inácio. A conversa fluiu e no final ele emendou que eu estava contratado.

Claro que fiquei surpreso, uma entrevista só e pronto, contratado por um cara que nunca ouvi falar na vida, e para uma área que não é o sonho de um hipocondríaco.

Pensei, minha temporada de concursos se encerrou, tudo bem, ainda estava na primeira marcha.

Ledo engano.

O meu ex futuro chefe me chamou para mais uma entrevista, eu supostamente empregado (sem formalizar) já seria apresentado ao trabalho. Lá fui eu ouvir todos os detalhes das minhas funções, como deveria me portar, os afazeres e tal. Nesta entrevista ele me passou o salário, quase o dobro do que eu ganhava, fiquei feliz e aguardando sacramentar nossa união felizes para sempre na CLT.

Houve, porém, uma terceira entrevista. Nesta estava o filho dele. Rapaz jovem, médico como o pai, cara de almofadinha, provavelmente lapidado pelo pai nos pensamentos e ambições. Seria mais um bate papo informal esta terceira entrevista, contudo acho, somente acho, que ocorreu um fato que mudou a minha trajetória de contratado pra demitido.

Papo vai, papo vem, o filho solta a pergunta com gosto de retórica.

- Então você é da família João Fortes né;

Explico: João Fortes é ou foi, já não sei mais, uma empresa muito tradicional no Rio no ramo de construção civil. Algumas vezes acharam que eu era da família quando na verdade não faço ideia de nada deles, a não ser que um deles foi Deputado Federal.

- Não, não, não tem nada a ver comigo.

Como disse não sei se esta resposta teve algum impacto. Sei que fui chamado ainda para uma quarta entrevista. Esta lembro bem, aqueles prédios de Copacabana de elevador apertado onde funcionava uma das filiais. Era um sábado ainda, eu de ressaca monstra me dirijo até lá pensando o que tanto querem me entrevistar.

Consultório cheio, chego por volta das 9 e fico no aguardo para minha última entrevista. Pego umas daquelas Revisas Caras deprimentes e folheio lentamente, esperando a chamada que nunca vem e nunca veio. Por volta das 11 a secretária me diz que o médico não me receberá, meu ex futuro chefe, já não gosto da palavra Doutor, quanto mais para este.

Pego o ônibus pra casa num dia ensolarado do Rio sabendo que o caminho me foi mostrado de forma indireta, com uma negativa sem palavras. Jamais soube se foi pelo meu sobrenome, se cometi alguma gafe em uma entrevista ou uma mera mudança de planos.

Simplesmente segui meu caminho depois, agora de forma definitiva.





quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Zé Chinelo

 O Ano Perdido e o Zé Chinelo no Futebol de Mesa.

O ano está perdido como todos sabem. Praticamente todos os campeonatos cancelados, no meu universo no Rio Grande do Sul uma remotíssima possibilidade de ter a Taça Rs em dezembro.

Todos tristes, portanto!!!

Não, nem todos. Há alguns que tem orgasmos retumbantes com o cancelamento dos torneios, da associações fechadas, do silêncio dos gols.

O Zé Chinelo.

Toda Associação de Futebol de Mesa que se preze tem um Zé Chinelo. O Zé Chinelo é aquele cara que reclama da mensalidade, reclama que é roubado nas mesas, reclama que o café do bar tá caro sem nunca ter consumido. Cerveja chance zero de consumir, o Zé Chinelo não bebe.

Se a Associação faz um torneio de fim de semana a 40 reais com almoço e troféu ele vai reclamar. Tá caro, estão roubando, o Zé Chinelo dirá;

Pouco importa se baixar para 30 ou 20, o prazer do Zé Chinelo é reclamar.

O Zé Chinelo adora grupos de whats. Manda mensagens enormes, o tamanho do áudio é proporcional a chatice da pessoa, isso é tão claro quanto a terra é redonda. O Zé Chinelo manda aqueles enormes, de voz empostada pra transmitir credibilidade. Mal sabe da lei universal, passou de 3 minutos você é um chato.

O Zé Chinelo reclama do preço do Centro Sul, do Brasileiro e da Copa do Brasil. A chance dele ir é zero, nem de graça ele iria, porque o Zé Chinelo é mandado pela mulher. Ela não deixa ele ir, mas ele reclama como se a questão fosse financeira. Mentira!

No fundo o Zé Chinelo não gosta de futebol de mesa, botão; Ele gosta de reclamar, de desenvolver teses, seu sonho é ter um cargo. Ele quer ser presidente de algo. Ninguém o ouve na vida, mas quando ele esta em uma Associação é a sua chance de ter sua lamúrias ouvidas.

Sua Associação tem um chinelo.

Se você não sabe, cuidado.

Pode ser você!!!




segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Enfia o Falcon no C

 ENFIA o Falcon no c...

E numa dessas tardes meio tediosas de trabalho me chega uma mensagem pelo whats de um contato que nem tenho salvo. Direto ao ponto, sem muitos floreios.

- Cocão, tudo bem? Cara, me dá uma ajuda aí, só restou você. Tem uma promoção do Falcon que eu quero pra mim, mas tô sem grana. Você compra pra mim e eu te pago aos poucos?!

E eu, pego de surpresa, comecei a pensar. Falcon??????????? Pô, até acho legal, tive um criança, com helicóptero e tudo, mas digamos que não é uma prioridade para um pedido, além do mais nessa época.

Eu não respondi que não, falei pode deixar, vou ver, etc etc etc, porque fiquei com vergonha de falar que não.

E assim o tempo passou, o amigo me mandava umas mensagens pelo whats sobre assuntos meio aleatórios, vídeos de 10 minutos e eu não respondia. Não por falta de educação, mas eram assuntos meio loucos mesmo e eu pensando, porra, um Falcon?

Um belo dia ele me manda uma mensagem enorme, algo muito específico, mas um pouco abaixo tinha a seguinte frase:

Ah, e enfie o Falcon no C...

Juro que comecei a rir. Tipo, alguns eu teria ficado chateado, mas dessa pessoa realmente eu gosto, botonista raiz.

Não foi muito elegante, mas tudo bem.




domingo, 16 de agosto de 2020

Botões gaúchos

 Meus amigos

 Belos botões, a tão falada matéria prima galalite que no Rio confundem e nunca cheguei a conclusão do por quê!


Transcrevo um levantamento que fiz no Facebook, mas não obtive resposta satisfatória. 


Pessoal do Rio,

Uma dúvida sobre o uso da palavra galalite pros botões. Lembro que na minha infância a gente jogava com tudo que é botão misturado, brianezi, estrela e bertisa, mas os teoricamente melhores chamávamos de galalite. Sei que quando vim pro Sul peguei a diferença de composição entre os materiais e sei com uma boa dose de certeza qual material é galalite e qual é acrílico.

Mas, um amigo meu me disse que o chamar de galalite tem a ver com a Fábrica de brinquedos Glasslite. Havia o chaveiro em acrílico e houve uma confusão com o nome, algo assim.

Pra mim na infância era assim, a gente quando ia negociar ou trocar falava:

- Ah, esse é de galalite!!!

E automaticamente aquele botão que não jogava nada virava um Zico.

Quem souber a origem do nome no Rio me conta aqui!




segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Foi um Rio

 Faz três anos que fui embora do Rio. Mesmo que a distância nos dê um poder de análise dos defeitos muito maior e o passar dos anos crie em nossas mentes visões estereotipadas arrisco a dizer que é um lugar diferente. Poderia me limitar ao óbvio, paisagens, praias e morros, mas é muito mais que isso. Na verdade, isso é uma pequena parte. Ser carioca é ter um estilo de vida.

O carioca é o parente folgado, meio louco, que todos nós temos, recriminamos, contudo o que mais gostamos e admiramos. Queremos ser como ele. Pois é leve e a vida tem que ser levada assim. De forma leve. Como um sábado de sol no Rio.

Todos são próximos. Em meia hora de conversa no Bar você ouve o “coé mermão” cheio de intimidade de quem nunca havia te visto. Nessa meia hora contará sua vida, o “desconhecido” contará a dele e vocês sairão de lá como melhores amigos, cheios de promessas de encontros e reuniões que jamais se concretizarão.

Outro dia um grande amigo meu que também mora fora escreveu que lembra do Rio ensolarado e extremamente quente. É engraçado que ao ler as palavras dele me lembrei daquele céu azul sem uma nuvem, daquele calor senegalês, mas lembrei muito mais do quente como um abraço, daqueles eternos, como se a cidade me abraçasse.

A última vez em que estive no Rio foi em Julho, no gélido inferno carioca. Achei engraçado aqueles bares lotados de segunda a segunda, as ruas cheias, os gritos, pois carioca não fala, berra. Senti em casa novamente, como se nunca tivesse saído e parei para refletir sobre os rumos que tomamos.

Lembrei do dia que parti, temeroso com os novos rumos. Não me arrependo, acho que sair da sua zona de conforto te faz crescer como pessoa, amplia seus horizontes, mas esse rio de lembranças percorre minha mente todos os dias. O Rio que passou na minha vida e em algum momento houve uma bifurcação. Como a vida de todos nós que, quando menos esperamos, nos apresenta novos caminhos e subitamente temos que escolher qual a seguir; Navego em outras águas agora, mais geladas, mas ainda avisto aquela cidade especial nos meus olhos fechados




quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Entrei mudo e saí...

Entrei mudo e saí....

Meu primeiro emprego foi altamente contraditório para minha personalidade. Operador de Telemarketing! Logo eu que quase não abria a boca, tímido ao extremo, "arrumei" um emprego no qual deveria falar durante seis horas seguidas. Na verdade eu não arrumei o emprego, eu era um peixe, o que fiquei sabendo um tempo depois.

Explico: meu pai tinha muitos contatos e um belo dia ele me avisa de uma boa oportunidade, salário alto para telemarketing, bom ticket refeição, seis horas por dia etc

Eu fiquei feliz, porém acreditava que o contato era um passo inicial; deveria me sair bem na entrevista, dinâmica de grupo e coisas do tipo. Claro que fiquei nervoso, haja vista minha experiência anterior que contei aqui na qual eram 3 indicados, duas vagas, e eu rodei.

Sei que minha chefe, que havia feito a entrevista, algum tempo depois disse:

- Fabio Sérgio( Um dia eu explico o Sérgio), você não abriu a boca na entrevista!!!

Então, me dei conta que fui o primeiro candidato a emprego a ser aprovado não tendo aberto a boca.

Sempre achei que essa imagem tímida tinha colado em mim na empresa, mas quando retomo o contato com alguns colegas nesta pandemia que me remete a laços do passado não tão amarrados ou sedimentados me parece que eu era um tanto quanto diferente do que eu me enxergava.

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Outro dia me chamou a atenção o comentário de um colega do meio do Futebol de Mesa!

- Fabio Fortes (agora já sou conhecido pelo meu nome) entra mudo e sai calado!

Aqui diferente do meu primeiro emprego eu já achava que passava uma imagem mais, digamos, descolada. Não tão arisca como se apreende deste comentário do colega.


De fato, não faz meu estilo cumprimentar todos, contar piadas, rodar o salão com cumprimentos efusivos e ouvir cantos de "Ele é um bom companheiro".

Gosto de grupos menores, conversa de bar e resenhas que se aprofundam conforme a cerveja gelada desce.

Provável que não terei o destino feliz do meu primeiro emprego, não existe peixe em campeonatos, agora dependo exclusivamente de mim e do meu talento, ou da falta dele.

Melhor assim.

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Um amigo lê meu texto e diz como sou visto.

- 3 pontos!




sábado, 18 de julho de 2020

Diversos

A gente vai acumulando neste nosso universo coisas que nem sei bem o que são. Esta é uma delas.


quarta-feira, 17 de junho de 2020

Mais um bolacril

Sei que é raro, não sei quanto.

Mais uma bela peça para minha coleção humilde, mas honesta.

O mental no Futebol de Mesa



Hipnose e as finais
Quando assisto uma final de futebol de mesa em qualquer regra sempre penso qual o grau de nervosismo dos jogadores que estão disputando. Claro que fala das finais de brasileiro, estaduais, aquelas que temos grandes grupos assistindo, transmissões, realmente diferenciadas. Campeonato por equipes também, esse eu considero talvez até mais nervoso.
Eu não me imagino numa final claro, mas penso, se eu chegar farei um bom jogo?
Creio que não e para isso temos um somatório de fatores. Eu sou bem tímido, acho que a transmissão me deixaria nervoso. Também penso que um grande jogador consegue se desligar dos que estão a sua volta, já ouvi algo que o Michael Jordan se imagina na sala de casa arremessando, algo assim, então imagino que guardadas as proporções os grandes finalistas "apertem" um botão e esqueçam que estão sendo assistidos.
Não tenho essa capacidade!
Mas, na remota hipótese de eu chegar à final me prepararei com estes livros que comprei hoje e mais alguns cursos quando o mundo voltar ao normal. Quando fiz concursos não trabalhei meu emocional, fui na base da insistência, mas já naquela época ouvi falar de hipnose no campo de estudos e emocional. Nunca fiz, mas pretendo aprender e elevar meu estado mental ao ponto de parafrasear as palavras do Didi nos Saltimbancos Trapalhões.
"Eu vou popotizar você!"
Eu vou ganhar de você!

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Tio Luiz

TIO LUIZ

O prédio, branco, bastante antigo, está lá até hoje. Fica na esquina de Rita Ludolf com General San Martin, bem no final do Leblon. São três andares, mais um pavimento térreo. A impressão que se tem é a de que parte deles é ocupada por escritórios. Apartamentos residenciais parecem ser coisa do passado.

Nos anos 50 um desses apartamentos era ocupado por uma família chilena. O patriarca era Juan Marchant, um fantástico jóquei que brilhou durante muitos anos no Hipódromo da Gávea.

Uma leva de profissionais do turfe chileno aportou no prado carioca nos anos 40 e 50. Todos muito competentes. Lembro, além de Juan Marchant, de Emidgio Castillo, Oswaldo Ulloa, Luiz Dias e do extraordinário Francisco Irigoyen. Este, classudérrimo, era o piloto titular do Stud Seabra, que abrigava grandes campeões. Entre eles Escorial, o super craque que viajou para Buenos Aires e desbancou a criação argentina no Grande Premio Carlos Pellegrini, em 1959. No dorso, “Pancho Irigoyen”. Que era tudo, menos um atleta. Boêmio, dizia não guardar apreço especial por sua profissão. Repetia sempre: “No me gusta la hípica. A mi me gusta bailar”. Bailou até o dia 20 de maio de 1984. Foi quando desapareceu. Sumiu completamente. Não se sabe como, nem porquê. Sequestro? Ninguém sabe. Nunca surgiu uma pista para o desaparecimento de Francisco Irigoyen.

Voltemos a Juan Marchant. Um belo dia, o barítono Paulo Fortes, que morava a quatro prédios de distância, bateu à sua porta, conforme haviam combinado. Foi direto ao assunto: “Marchant, amigo velho, este não está sendo um ano bom para quem se mete a cantar ópera. A programação do Municipal anda fraca e eu estou duro feito um coco. Tenho que pagar a prestação do financiamento do apartamento, o pessoal do Banco do Brasil, você sabe, não dá refresco. Eu pensei, vou falar com o Marchant. Quem sabe ele me dá uma barbada, me indica um cavalo meia-bomba que, ganhando, pague uma nota preta a seus apostadores. Jogo uma grana no bicho e resolvo meu problema...E aí velho, alguma sugestão?”

Marchant ouviu. Não disse nada. Rosto largo, olhos rasgados, a revelar sua ancestralidade. Pele queimada, inevitável para quem, todas as manhãs, exercitava dezenas de cavalos de corrida. Esse silêncio durou um tempo, até ser rompido por uma frase curta.

“Pablo, sábado, sexto páreo. Tio Luiz”.

“Vamos lá, Marchant, deixa eu ver o programa...sexto páreo...Tio Luiz...é você que monta esse tal de Tio Luiz! Mas é um cavalo horroroso! Não vai a lugar nenhum!”
Expressão inalterada, Marchant repete: “joga Tio Luiz...”

Paulo se desespera: “Marchant, o assunto é sério! Tenho andado muito nervoso! E você me vem com uma maluquice dessas! Esse Tio Luiz nunca passou de um oitavo lugar! Isso num páreo em que provavelmente correu sozinho...”

Não disfarçando um ar de enfado, o arauto repetiu pela última vez: “sexto páreo. Tio Luiz”.

Paulo Fortes agradeceu, educadamente, mas deixou a casa de Marchant com absoluta certeza de que havia perdido seu tempo. Dormiu mal nas duas noites seguintes. Chegado o sábado, se arrumou e foi para o Jockey Clube. No bolso enfiou uma maçaroca de dinheiro, para qualquer eventualidade. Dinheiro reservado para passar o resto do mês, nunca para apostar naquele estrupício, o tal de Tio Luiz...

Os páreos foram sendo disputados. O hipódromo estava lotado. Frequentador assíduo, o barítono permanecia junto de seus amigos. Quarto páreo, quinto páreo...eis que aconteceu o rompante. Como um raio, ele se dirigiu ao guichê de apostas, sacou seu maço de notas e bradou: “Sexto páreo, tio Luiz, Ponta!”

Voltou ao seu lugar. Alguém perguntou e ele, envergonhado, disse que apostara em Tio Luiz. Risada geral. Interrompida com o início do “canter”, o galope de apresentação do sexto páreo.

Dava pena o tal do Tio Luiz. Para começar, um cavalo de porte muito pequeno, em comparação com os demais concorrentes. Certo de que havia feito uma besteira monumental, Paulo Fortes até achou que o bicho já entrara na raia mancando. Pelo binóculo, viu se dissiparem suas últimas esperanças. No dorso do indigitado, a expressão de Juan Marchant revelava profundo desânimo. Depois de um “canter” desalentador, o barítono mal acreditava que Tio Luiz pudesse encontrar forças para chegar até o “starting-gate”.

Mas chegou. E foi dada a largada! De acordo com o previsto, Tio Luiz foi ficando para trás. Mas, surpreendentemente, quando o pelotão começou a contornar a grande curva, estava próximo dos demais competidores. Terminou a curva “misturado” com a concorrência. Ao entrarem na reta de chegada, tio Luiz se aproximou dos ponteiros. Paulo Fortes gritava feito um louco: “Tio Luiz!”, “Tio Luiz!”. No dorso do matungo, Juan Marchant se agitava como um demônio. Tio Luiz já ocupava a segunda colocação. Paulo gritava “Tio Luiz” no mesmo lá bemol em que finalizava a ária de Fígaro, no “Barbeiro de Sevilha”. Eis que Tio Luiz assumiu a ponta. Paulo passa a gritar no tom em que encerra a Romanza do “Guarany”, de Carlos Gomes.

Tio Luiz ganhou o páreo. No entorno do barítono todos estão completamente surdos. O matungo pagou um monte de dinheiro aos seus escassos apostadores. A prestação do apartamento estava salva.

Durante muito tempo Paulo Fortes, por onde circulava no Jockey, ouvia dos demais frequentadores um coro frenético: 

 - “Tio Luiz!”, “Tio Luiz!”


quinta-feira, 4 de junho de 2020

Sou um crápula

Meus amigos,
Descobri que sou um crápula. Sou debochado, irônico, sarcástico, cometo excessos na bebida, na comida, uso as palavas erradas nas horas impróprias, não tenho jeito.
Sou um tremendo de um crápula.
A palavra usada pelo meu avô para me descrever me preenche de significados com a idade e a pandemia. Sim, a pandemia me fez mergulhar em interiores sentimentais e intelectuais que jamais queria ter conhecido.
Sou um crápula. Palavras que escrevi e não deveriam ter saído, críticas veementes que poderiam ter sido evitadas, descobri que o ser humano deve primar pela discrição, pelo afago, pois nossa passagem é tao ínfima que devemos ignorar o que nos atinge e apenas enaltecer os momentos mágicos que tem uma carga de abstração que poucos percebem.
Mudei, e para coroar minha mudança escolhi um time crápula.
Palmeiras, pra mim começo dos grandes patrocínios, fim do futebol romântico, marca definitivamente o término dos anos 80 e o começo da decadência do futebol ( em todo o mundo) dos anos 90;
Sou um crápula!!!


quarta-feira, 3 de junho de 2020

Revista Placar

Meus amigos,

A página mais amistosa do futebol de mesa nacional traz pequenos trechos de uma revista histórica, uma placar de 1987 que trata do futebol de mesa nacional. Infelizmente este que vos escreve tem imensas dificuldades nesta seara da informática, manipulações de imagens etc, portanto, me desculpem.



domingo, 31 de maio de 2020

Dê uma parada e o caminho mais longo é melhor


Depois que fui demitido do hospício assumi de vez o caminho dos concursos públicos. Não foi um percurso natural, eu não era um cara estudioso, tinha uma leitura muito dispersa e a parte de exatas e dos direitos realmente demorei pra pegar.
Aos poucos, porém, fui internalizando o estudo, fazia muitos cursos no Curso Gabarito no Rio e brevemente cheguei à conclusão de que tinha que ir para uma Biblioteca estudar, o estudo em casa não funcionava comigo.
Ia de ônibus e no meio do caminho encontrava com Seu Tonho, chamados por mim e pelos amigos de Tonho Véio.
Seu Tonho trabalhava no 16 da Avenida Rui Barbosa, no bairro Flamengo no Rio de Janeiro. Estava lá desde a fundação do prédio, não sei se trabalhou nas obras. No caminho para a parada do ônibus eu sempre encontrava com seu Tonho, conversávamos sobre o passado, sobre a bagunça que fazíamos na adolescência, das bebedeiras e as histórias rendiam. Ocorre que em algum momento do meu estudo eu comecei a achar que era perda de tempo aquela conversa tamanha minha obsessão com os estudos, uma neurose. Passei apenas a cumprimentá-lo e tomar meu rumo com a pressa de quem acha que tem o tempo todo do mundo para corrigir os percalços da vida.
Não temos.
Depois minha vida tomou uma outra direção, morei em outros lugares e a figura do Tonho Véio era cada mais escassa, ele mais tímido, mais quieto, não sei dizer. Seu Tonho faleceu ontem, fazendo sua janta.
Descanse em paz seu Tonho, livrou eu e meus amigos de umas boas no passado, mas sua maior lição pra mim foi deixada agora.
XXXXXXXXXXXXXXXX
A minha pressa não passou depois que passei num concurso, apenas mudou o motivo. Quando mudei para Porto Alegre deixei amigos e familiares no Rio. Em feriados e férias me mandava para minha terra natal, mas os dias que eu ficava deveriam caber numa agenda apertada com visitas ao Pai, Avó etc
Pegava o metrô para boa parte dos meus destinos e nessa caminhada da Avenida Rui Barbosa para a Marquês de Abrantes eu sempre pensava em visitar o Pietro, jornaleiro e padrasto de um grande amigo meu. Era uma pequena mudança de caminho, uma esticada para Barão de Itambí.
Eu tenho fascinação por bancas de jornal, quero ter uma quando me aposentar mesmo que seja apenas para ler eu mesmo tudo que ela tiver, já que as novas gerações não curtem esta leitura impressa e o ritual de ir a uma banca.
No caso do Pietro era dar um oi, não tinha tanta intimidade com ele, mas gostava da figura de voz grossa que fazia piadas constrangedoras com aqueles adolescentes que alugavam filme pornô e assistiam na sala se achando o máximo.
Pietro zoava que éramos uma filial de Porky's com a diferença que éramos uns virgens tímidos estudantes de colégio católico no Rio na transição dos anos 80 para os 90. Eu morria de vergonha, mas achava engraçado também.
Infelizmente, também não pude dar esse oi para o jornaleiro italiano pelo mesmo motivo citado acima, a pressa, o relógio, o tempo.
Nas próximas vezes farei o caminho mais longo.





quinta-feira, 28 de maio de 2020

Botões antigos, ônibus?

Que os botões são de ficha tenho certeza que sim, mas fiquei na dúvida se são de ficha de ônibus.

Não são tão legais pra jogar, mas valem pela história.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Começo lá longe

Dentro de uma onda saudosista falei com um amigo meu hoje sobre os campeonatos que jogávamos na casa dele, Voluntários da Pátria no Rio, e ele me mandou os botões que jogava, feitos pelo pai.
Perdemos contato, ele foi morar em Resende, seu pai foi transferido, mas na minha tarefa de resgate consegui seu contato e ele me brindou com estas peças que apesar de não achar bonitas, são históricas.



terça-feira, 26 de maio de 2020

Fracasso, fracassos e o tempo

Fracasso/s e o tempo
Já fiquei desempregado algumas vezes. A primeira foi quando fui demitido do Sebrae, empresa na qual eu era operador de telemarketing. Nesta não tive culpa, eles queriam reduzir salários, força de trabalho, não me recordo bem, sei que num belo dia me chamaram e disseram algo sobre insuficiência de desempenho etc. Junto comigo umas 40 pessoas foram mandadas embora.
Alguns anos depois fui demitido do hospício que trabalhei, a Clinica da Gávea. Aqui de fato tive uma parcela considerável de culpa. Eu realmente não gostava de trabalhar no local. Andava perto dos pacientes com um certo receio, havia um senhor que ficava o dia inteiro falando sobre a terceira guerra mundial, uma outra pedia cigarros o dia inteiro e ficava agressiva se não desse, um ambiente estranho.
Claro que havia os pacientes legais, mais calmos, um deles era o Sérgio xxxx. Sérgio era dos mais antigos lá, ele era liberado para andar por todos os locais. Todo dia ele ia na Administração da Clínica e pedia que eu fizesse um crachá para ele com seu nome e escrito - paciente -; Eu atendia o pedido do Sérgio, fazia o crachá, mas sabia o que aconteceria no dia seguinte.
No outro dia vinha o Sérgio bem cedo com o crachá rasgado, pois durante a noite ele refletia que pacientes não podiam ter chachá e ele o rasgava como um leão raivoso. A culpa do Sérgio não durava muito, lá pelo fim do expediente ele pedia que eu fizesse o bendito crachá novamente e eu nunca neguei, não sei se agi corretamente ou não.
Depois de algum tempo comecei a estudar para concursos, atravessava a cidade ( a Clínica era na Rocinha e meu curso, Gabarito, no Centro do Rio) e assim minha dedicação ao trabalho começou a decair cada vez mais.
Claro que um dia deu problema, meu chefe me chamou perto do Natal e eu apesar de achar que ele não seria "mau" ao ponto de me demitir às vésperas da festa natalina sentia que algo estranho estava no ar. Não deu outra, o anúncio foi rápido, eu senti um rápido desconforto e encerrei minha participação na Clínica.
Sei que em algum desses momentos entre um emprego e outro tive uma conversa daquelas profundas que somente dois bêbados fazem. Estávamos em frente a Prelude, uma boate famosa no Rio, e eu completamente embriagado reclamava dos meus fracassos, de ser um fracasso, e da falta de perspectivas na minha idade avançada de 25, 26 anos.
Foi aí que meu amigo Alexandre Araujo parou de fumar, pousou o copo de whisky em cima de algum carro (bebíamos em frente a boate para economizar) e disse com todas as letras como ele gosta de frisar.
- Cocão, meu amigo Cocão!!! Você somente será um fracasso se deixarem que o convençam que é um fracasso!!
Choramos é claro, bebemos mais e provavelmente zeramos na Prelude que era um antro de Patricinhas no Rio de Janeiro.
Mas, eu nunca mais achei que era um fracasso.



Santo Inácio


Eu tenho um texto aqui no blog sobre meu colégio. Este é o do meu pai. 

SANTO INÁCIO


Sou uma anta no campo das ciências exatas. Fiz o Clássico, não estudei física, química ou descritiva. Costumo dizer que o meu limite tecnológico é o liquidificador Walita de três velocidades. Mas sei o suficiente para ter certeza de que os relógios, a partir de uma certa etapa de nossas vidas, passam a caminhar mais rápido.

Não posso acreditar que já faz dez anos que escrevi a página de abertura do Anuário que editamos para comemorar quarenta anos de formatura no Santo Inácio. Mas acabo de repetir a proeza, produzindo o texto que abriu nosso livro dos cinquenta anos. Prevenido que sou, e ciente da rapidez dos acontecimentos, estou escrevendo os textos que vão comemorar nossos sessenta, setenta, oitenta, noventa e cem anos de formados.
A turma de 1967, a que pertenço, inaugurou o primário do colégio, em 1956. Doze anos depois, não mais do que vinte alunos alcançaram a proeza de ter estudado no Santo Inácio do primeiro ano primário até o terceiro ano do colegial.

Não tive esse privilégio. A escolha do colégio em que eu deveria estudar colocou minha mãe e meu pai em campos opostos. A bem da verdade, até se separarem, eles sempre estiveram em campos opostos. Todos os varões da família de Paulo Fortes estudaram no Colégio São Bento. Desde Cândido Barata Ribeiro, médico que foi o primeiro prefeito do Distrito Federal. Me ver com o terninho cinza do Santo Inácio era o sonho de consumo de minha mãe, sonho que somente se concretizou em 1958, no terceiro ano primário. Um ano antes eu fizera uma prova para ingressar no colégio. Estava bem preparado. Concorreram noventa meninos, eu fiquei em sexto lugar. As vagas eram apenas quatro...

No seu intento de me tornar um jesuíta, minha mãe contou com a ajuda de Oscar Gabriel, amigo de meu pai, dono das Óticas Brasil. Oscarzinho, seu filho, era aluno do Santo Inácio. Oscar era muito amigo do Padre Barreto. Mas seu empenho não foi suficiente. Fui chamado quase ao final de 1958. Imagino que duas vagas tenham surgido ao longo do ano. Sei que minha trajetória Inaciana começou no dia 28 de outubro de 1958. Meu primeiro dia de aula, na classe de Dona Lilian. Tenso, em trajes civis, eu tentava me enturmar com um bando de meninos que ostentavam seu garboso paletó cinza. Foi quando um colega, vindo não sei de onde, irrompeu na sala anunciando : "Viva o novo Papa ! Viva João XXIII ! ". O Google confirma a data : 28 de outubro de 1958.

Adaptado, fui atraído pela tradição futebolística do Santo Inácio. Colégio de grandes craques, com destaque para os expoentes Raphael de Almeida Magalhães, Gugu e Mosquito, os dois últimos estrelas do futebol de praia do Lagoa e do Juventus, respectivamente. Fui sempre um ponto fora dessa curva. Mas participava, animadíssimo, de um esporte que chamávamos de futebol, mas se assemelhava à movimentação das tropas que invadiram a Normandia. Tudo sob o olhar atento da Diretora Dona Gilda e da Maria, sua auxiliar, encarregada da tarefa superior de abrir nossas garrafas de Coca-Cola.

De repente nos vimos homens. Tempo de Admissão, de professores engravatados e disciplina rígida. Homenzinhos frequentam bares. E desde cedo começam a beber coisas que não fazem bem. No bar do recreio vendia-se uma tal de Ginja-Cola, capaz de enfrentar desafios de uma pia entupida.

Algumas tradições ficaram pelo caminho: a missa dominical, a folga nas quartas-feiras, o uniforme de gala... Mas não faltavam novidades: as campanhas missionárias, os retiros na Fazenda Santa Bárbara, o cinema à noite no colégio...

Em seguida, quatro anos de ginásio, com uma rotina pouco alterada. Disciplina rígida, que não nos impediu de acumular "causos" que até hoje animam nossas mesas de conversas. Chegávamos, também, à época de definições importantes. Clássico ou Científico ? Enfrentar o rigor Inaciano tornava-se cada vez mais complicado. A cada ano perdíamos bons amigos, que não conseguiam acompanhar o ritmo de um colégio campeão nos vestibulares.

Em seguida vieram as festas, os primeiros namoros. As desilusões com um país que nossa geração acreditava poder melhorar. Afinal, éramos tão preparados, tão aguerridos... Uma avaliação errada que fizemos.

Noventa e três colegas compareceram ao almoço que promovemos no Clube Paissandú, comemorando os cinquenta anos de nossa formatura no Santo Inácio. Lembramos a bela solenidade que aconteceu no final de 1967, no esplêndido teatro do colégio que, lamentavelmente, não existe mais. Lembramos do auditório repleto, ocupado por nossos pais. Orgulhosos e emocionados, imbuídos de um sentimento de missão cumprida, eles dividiam com nossos avós, irmãos e amigos aquele momento inesquecível de nossas vidas.


Cinquenta anos depois acontece nossa confraternização no Paissandú. Oportunidade em que refletimos sobre a dedicação e a excelência dos nossos professores e dos padres jesuítas que nos propiciaram uma excepcional formação. Em que reafirmamos nosso orgulho de ter sido alunos do Santo Inácio, nossa certeza de que mais Inacianos à frente do pais teriam edificado algo muito melhor do que aquilo que nos é dado conhecer nos dias de hoje. E, o mais importante, em que choramos a ausência de muitos colegas queridos, que não estão mais entre nós para participar de nossa grande festa.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Botão de ficha

Um botão diferenciado feito com ficha antiga. 

duas fichas

Antes e depois


Depois de uma boa limpeza olhem meu ávidos leitores como ficou o Rivelino.

Eu tinha pra mim que ele foi queimado e aquele amarelado eram marcas intransponíveis. Contudo, amigo meu conseguiu tirar.

Como eu preferia?

Olha, tenho lá minhas dúvidas...

Bolacril original





Postei há pouco cópias do bolacril. Estes são originais, belíssimo perolado que hoje em dia quase não se acha, nem mesmo nas fichas de poker. Para jogar que não acho grande coisa.

Botões gaúchos

Vejam meus amigos que belo lote consegui, e não vi.

Sim, o lote está no Rio de Janeiro, na casa do meu pai, e em tempos de Covid sabe se lá quando irei para lá.

Olho para os botões e vejo que são gaúchos, mas não se sabe a origem,  pois parece que o dono nunca esteve por aqui.

Mistérios do botonismo.



domingo, 24 de maio de 2020

bolacril

A fortes futmesa sempre buscando a inovação encomendou estes 2 times estilo bolacril com o grande artesão Marcelo faleiro. Pequenas modificações em tamanho e graus para tornar o time mais jogavel. Parabéns ao marcelo faleiro pelas obras e a fortes futmesa por estar sempre na vanguarda do futebol de mesa e não temer novos desafios.





sábado, 23 de maio de 2020

A solidão do botonista

Fiz o seguinte pedido ao meu pai:
- Pai, já que você pinta e acredito que toda tela tenha um significado quero te pedir algo bem específico. O Futebol de mesa é um jogo solitário, não há técnico para auxiliar, individual o jogo ao extremo. E já sendo um jogo solitário existem alguns lances que me remetem há uma solidão mais profunda ainda, daquelas que nossa única companhia é a batida do nosso coração. Estes lances são os cruciais, aqueles do último lance, com dezenas de pessoas em volta da mesa, porém o jogador está lá desamparado, sozinho na montanha, sem poder pedir ajuda a ninguém a não ser a ele próprio. Quero que capte a essência desse lance numa tela.
Ouço uma respiração mais profunda, a pausa demora e eis que a resposta vem:
- Fabio, esse quadro, com esses detalhes, com essa complexidade, com toda essa carga psicológica, eu só consigo imaginar uma pessoa que faça. Vou te dar o telefone, mas desconfio que ele não vai poder te atender.
- Opa, quem é a pessoa?
- Portinari!





Traves

Traves de madeira que consegui no Rio de Janeiro. Estou aguardando o fim da pandemia para abraçá-las.


terça-feira, 19 de maio de 2020

CCCP

Meu próximo projeto, uma União Soviética.

Já tive minha época comunista, quando criança, acho que influenciado por um certo mistério do país e das seleções de volley e basquete (eu era fã do Sabonis).

Time sendo feito pela lenda do Rio Grande do Norte, Aldemar.