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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Confissões

 Honesto, mas sem muito esforço, a falsificação dos botões e uma CONFISSÃO - na verdade duas

Dentro das minhas auto sessões de análise durante a pandemia me recordo de uma vez que ganhei dinheiro sem muito esforço, mas honesto.
Meu pai, colecionador de carros nos bons tempos, de vez em quando tinha a oportunidade de locar para novelas. Ele trabalhava e obviamente não tinha tempo para ir até o PROJAC da Rede Globo, onde eram filmadas as novelas e séries.
Creio eu que vendo aquele filho um tanto acomodado me incumbiu/coagiu de levar o carro das fotos até o PROJAC para as filmagens de Hilda Furacão. Contudo, havia um problema grande. Eu nunca soube dirigir estes carros bem, andei pouquíssimas vezes com eles, e sempre morri de medo (explico melhor o medo no final) por ter certeza durante muito anos que eles valiam mais que a minha vida. Hoje tenho dúvidas.
Então, meu pai arrumou um amigo dele que era seu mecânico também pra irmos juntos ao Projac. Américo o nome dele.
Meus 5 leitores devem estar se perguntando: Mas, o que você fez afinal?
Digo que basicamente nada. Fiz companhia ao Américo, fomos num ford 41 (acho) do Bairro Flamengo ao Projac, longe pra caramba, devia estar calor porque no Rio faz calor o ano inteiro e eu acompanhei uma gravação o dia todo.
A gravação de uma novela é uma coisa de louco de tão repetitiva que é. A função do carro era simplesmente a de ficar parado compondo o cenário. Eu, sentado num canto discretamente, olhava a filmagem e lembro de ter visto e ouvido umas 8 vezes o Tarcisio Meira dirigindo-se a Ana Paula Arósio com a seguinte fala.
- Hilda, oh Hilda, desça Hilda.
Era algo assim, rápido, mas que demandou um tempo enorme. Sei que daqui a pouco almoçamos, todos juntos e misturados num belo restaurante do PROJAC ( a Ana Paulo ao alcance dos meus olhos) e avançamos pela tarde com outras cenas. Por volta das 17 voltamos pra casa, eu não fiz nada, apenas minha presença, mas meu pai pagou o aluguel que ganhou da Rede Globo pra mim e para o Américo. Talvez ele tenha plantado a semente, olha, ganhar dinheiro dá trabalho, é bacana querer mudar o mundo num bar do Leblon e pagar a conta com o cartão do seu pai, mas ganhar o dinheiro daquele cartão dá trabalho.
Dito isso tudo, eu deveria avançar pelo assunto da falsificação dos botões já que está no título do meu texto e no Enem eu ganharia zero por fuga do tema. Poderia fazer um paralelo com meu caso que ganhei um dinheiro fácil, mas honesto, e como existem pessoas que querem os atalhos. Só que conversando com um amigo meu ele me deu uma luz. Falou o seguinte:
- Fortes, não se mete nessa. Tem muito pilantra que vende, mas tá cheio de pilantra que compra também.
Eu claro que dei meu pitaco, irônico como sempre, mas depois pulei fora porque se perde muito tempo nessas discussões e tempo a pandemia nos prova que está passando, e passa rápido...
A propósito, um tal de Jaime me disse que sou tosco e grosso. Não sei quem é. Mas Jaime, sou sem dúvida uma das melhores pessoas para se conviver e honestíssimo. Um dia me paga um chopp e vai ver, não sou bom com piadas, mas tenho bom papo.
A CONFISSÃO PARA MEU PAI
Pai, finalmente resolvo te confessar duas coisas. Você tinha um Karmann Guia parado na garagem que as vezes eu descia e ficava entrando e saindo da vaga pra treinar pra auto escola.
Pois bem, um dia eu bati no carro do décimo sexto andar e nunca contei pra você. Amassei uma parte do carro. Contei para a vizinha depois e ela me perdoou.
Pai, a CONFISSÃO DOIS
Eu sempre fui barbeiro. Um dia peguei seu Karmann Guia amarelo para pegar uma pizza na Parmê e quando entrei na garagem me enrolei e arranquei um friso lateral do carro e fiz alguns arranhões. Jamais contei, mas sempre há tempo, eu acho.
Gratidão pela lição




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