Há um Rocky Balboa dentro de nós
Antes de ver o filme pensei, devo escrever algo sobre ele.
Planejei, comecei a escrever e nada. A grande verdade é que não saiu nada. Gostei do filme, retomei o passado, me lembrei de meus 6 anos de idade rebobinando a fita de vídeo cassete para ouvir a Adrian dizendo win Rocky, win, mas realmente não consegui escrever nada sobre o filme, pelo menos de imediato.
Hoje, depois de refletir um pouco, saiu algo, simples, mas digamos que sincero.
Rocky para mim foi um marco na infância. Claro que minhas concepções do filme mudaram com o tempo. Se antes eu via a luta como o principal, os treinos, a música, hoje vejo que a história de um homem querendo uma chance, lutando para se levantar mais uma vez e tendo dúvida sobre suas condições, seu potencial e seu lugar no mundo me soam muito mais familiares.
Rocky e suas inúmeras sequencias, e agora com o spin off Creed, é a história do se levantar. Sim, a vida de facebook todos nós sabemos que não existe, ou pelo menos deveríamos saber. Viagens, restaurantes, sorrisos constantes, isto é parte da nossa história, mas não somente. Inúmeras vezes a vida nos apunhala, dá reviravoltas e por vezes pensamos o que devemos fazer.
Aí entra a grande lição do filme.
One more round, disse o personagem no Rocky V.
A lição do filme, óbvia e linda, é essa. Mais um round. Lutar enquanto podemos, enquanto temos força, e continuar a caminhada mesmo que por vezes o caminho pareça extremamente nebuloso e sem sentido, injusto até.
Hoje mesmo tenho um amigo meu, daqueles quase irmão, que está passando por uma situação daquelas literalmente de nos deixar na lona. Um dia liguei para ele e pensei, não vou chorar, vou apenas dar força e dizer que estou ao lado dele mesmo que há 1.500 km.
Chorei.
Num outro dia, eu mais calmo, liguei para ele e foi ele que chorou. Cada um estava à sua maneira e guardadas as proporções na lona naquele dia. Ouvindo a contagem e ela se aproximando perigosamente do 10.
Mas, nós dois sabíamos que era passageiro e temos que nos levantar.
Em Creed 2 Rocky pergunta ao seu pupilo;
- Por que você luta?
Ele não sabe. Acha que sabe, mas não;
E aqui está, talvez, a grande lição desse filme. Saber as razões pelas quais caminhamos, tentamos e por que lutamos é tão importante quanto lutar.
Uma vez eu disse para uma tia minha, estou deixando a vida me levar.
Ela respondeu, ok, mas não deixa muito. E vejam, claro que não temos controle sobre muitas coisas que nos acontecem, e muitas coisas nos fazem totalmente perder a fé, mas esta passividade do deixa a vida me levar é das maiores idiotices que existem. Mesmo que muitas coisas estejam foram do nosso alcance sempre há um resquício que está, e aí devemos lutar como aquele lutador da Filadélfia que em algum momento teve a grande chance da vida dele. Temeu, treinou, duvidou e lutou.
E aproveitou.
One more round, Rocky.

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